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Telma Miranda
Vincent Van Gogh



Barcos

Dormem na praia os barcos pescadores
Imóveis mas abrindo
Os seus olhos de estátua

E a curva do seu bico
Rói a solidão


Sophia de Mello B. Andresen





Telma Miranda

Brazilian Forest, Charles Comte de Clarac, 1877-1927


Um grande amigo me enviou uma belíssima peça de Bach: Siciliana, com Evgeny Kissin ao piano. A composição não tem, formalmente, os aspectos característicos do romantismo. Falta o arrebatamento e a afetação. É uma melodia clara,despretensiosa, sem ornamentos, ingênua, quase infantil. Entretanto há uma certa "transcendência" que, a mim, me reenviou aos quadros de Friedrich. Entretanto, essa mania de sempre experimentar algo diferente, escolhi a interpretação de Sérgio Monteiro (de Niterói) da obra do barroco alemão e um quadro de um francês do final do século XIX, retratando a floresta amazônica que lembra o romance indigenista Ubirajara de José de Alencar, de 1874. Não sei se tudo se encaixa. Se não, o jogo recomeça.




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Telma Miranda
O primeiro quadro pertence ao sombrio romantismo alemão do início do século XIX, o segundo tem as cores da Califórnia fixadas pelo artista no início do século XX. Vangelis é um compositor grego, segunda metade século XX. A solidão e o silêncio... eternos.


Solitary tree - Caspar David Friedrich, 1774-1840



The great silence - Fred Grayson Sayre, 1879-1939





Prelude, Vangelis, 1943
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Telma Miranda
Claude Debussy (1862-1918) é um compositor francês considerado impressionista, autor de uma música vaga "que se ouve com a cabeça reclinada nas mãos". Ou então podemos ouvi-la passeando pelos jardins de Claude Monet (1840-1926), pintor francês também impressionista, cuja técnica, inovadora, fazia com que os quadros, vistos de perto, apresentassem apenas borrões, mas ao distanciar a visão, o quadro se formava com extrema nitidez.



A música de Debussy também tinha esse caráter vago, sutil e ao ouvi-la temos a impressão que a melodia simplesmente vai se dissolver. A peça intitulada Clair de Lune é a mais popular.
Para um dia de encontro entre sol e lua, ao som do romântico Beethoven ou do impressionista Debussy, o que importa é refletir sobre o que é um encontro. E aí nada como o cinema para unir uma melodia, uma manhã e uma história de duas pessoas que se encontram. A cena abaixo é o final do filme Frankie and Johnny, realizado em 1991, e que merece ser visto ou revisto. Fala de uma profunda solidão humana e da necessidade de se estar conectado a algo ou alguém. As resistências de Frankie, a insistência de Johnny, o desejo de se relacionarem verdadeiramente tornam os personagens figuras emblemáticas dessa busca incansável e tão difícil do encontro. Amanhece. E a luz do sol - acompanhada pelas notas da melodia Clair de Lune de Debussy - penetra pelas frestas da janela, desfazendo defesas e iluminando esses dois seres agora dispostos a se unirem em uma união dos opostos: Sol e Lua.


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