Telma Miranda
Pelo menos duas vezes por semana preciso atravessar a praça Getúlio Vargas, em Icaraí - Niterói, a caminho do consultório. Um dia me chamou a atenção a presença de um simpático senhor (certamente ele deve ser simpático), elegantemente vestido, sentado em uma daquelas mesas de concreto, absolutamente compenetrado sobre seus papéis e canetas. Sempre pela manhã, lá está ele. Observo e fico a imaginar (ah... sempre a cruel curiosidade) sua vida, sua história, sua escrita, seus amores. E nem o vento de primavera que chega o afasta de sua tarefa: estará escrevendo cartas? poemas? uma composição musical?. Mas ele permanece, incólume e impassível, comovendo-me. Atravesso.

Penso então em dois outros simpáticos e elegantes senhores. Um é poeta, Mário, Quintana, de Porto Alegre. Outro o grande pianista, Vladimir, Horowitz,da Ucrânia. E me deixo, então, embalar pelo vento de primavera que faz saltitar as folhas naquela manhã, lembrando os grilos do Mário, os dedos de Vladimir e aguardando sempre as boas novas que o vento nos pode trazer.

O que o vento não levou

"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar: um estribilho antigo, um carinho no momento preciso, o folhear de um livro, o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."
Mário Quintana.


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1 Response
  1. A sua escrita fina e leve como uma doce saudade, também o vento não leva,
    bjs
    Carlos Eduardo


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