Telma Miranda
São sete minutos.
Sete breves longos minutos.
Um violoncelo que encanta as notas da partitura de Ennio Morricone.
São dois poemas.
Brevíssimos poemas.
Que deixam longos rastros de pensamentos...
Experimente!





To be or not to be

Desejo de sentir que ora não penso,
ou que penso e o que penso é não vivido.
A alma retrai-se; o espírito, suspenso,
detém-se: é fio irreal interrompido.

Há um ímpeto de fuga que não venço.
Extrai-o de mim mesmo: é sem sentido.
E assim pairo, sonâmbulo, no imenso
campo que fica entre a presença e o olvido.

Como entender o que nem foi vazado
em forma, signo ou luz? Como e por quê ando
perto e longe de mim que ardo a meu lado?

Como esquecer que o próprio esquecimento
do que em mim se rebela e está sonhando
rói a sede de ser em que me invento?

Emílio Moura (1902/1971)


I

A dúvida, essa dádiva cruel
de um deus cartesiano, nos convida
a tudo refratar, e refletir.
Exilado no canto da janela,
eu fecho então os olhos, feito prisma,
e decomponho a luz que desfalece.
Parou o vento. É o tempo que parece
mover os ramos verdes, onde havia,
entre ser e não-ser, uma andorinha
cansada de voar com seu mistério.
Felizes são as aves, que confiam
- eu penso. E fecho as folhas da janela.
Sou um bicho que pensa. E a quem oprime
a solidão de ser, sem nenhum crime.

Jayro José Xavier (10 de junho 1936)
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2 Responses
  1. Maria Regina Says:

    Linda esta música e este arranjo!
    Um abraço


  2. Henrique Chaudon Says:

    Telma:
    Emílio Moura, Jayro, Yo Yo Ma...
    Biscoitos muito finos.
    Obrigado.


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